24 julho 2012

Ceticismo, fisioterapia e tomadas.

Eu sou uma pessoa cética. Invejo minha mãe, que é uma pessoa de fé. Não acredito em muita coisa. Não acredito em fisioterapia. Mas depois de um fim de semana com muita dor no ombro, decidi apelar e hoje eu fiz fisioterapia pela primeira vez. A fisioterapeuta muito solícita fez uma sessão de ultrassom e depois colocou uns eletrodos com choquinhos. Tenho a impressão que ela me esqueceu lá. Realmente chato o processo. Fato é que minha dor foi a 10%. Pode ter sido sorte de principiante. Vou ter a prova em nove sessões.
Sai de lá e fui comprar interruptores e tomadas pro apto. Serei uma arquiteta muito melhor depois dessa experiência, que é meso sofrimento, meso excitação. Tomara que o fim seja feliz. 
Na fila do caixa, vi uns vasinhos de trevo de 4 folhas. Comprei um. Vai que...

23 julho 2012

Adquiri um imóvel.

É essa a explicação que tenho pra dar. Foram dias procurando um apartamento que parecesse comigo. Mais outros dias fazendo contas. Mais uns juntando papelada. Agora gasto todos os minutos em que não trabalho, trabalhando no meu apê. A maioria tentando convencer algum pintor a pintar uma parede de preto. Deve existir alguma crendice entre os pintores de que pintar uma parede de preto dá 8 anos de azar.
É tudo o que sei sobre o projeto do meu próprio apartamento. Uma parede preta, outra roxa. Tem que ter uma parede roxa porque desde que me entendo, espalho aos sete ventos que teria uma parede roxa na minha casa. E depois de dois anos morando em um apartamento bege, mereço uma parede roxa. Roxíssima.
Se o código dos pintores supersticiosos permitir.



 O projeto mais difícil da vida de um arquiteto é o da própria casa. Pensando em contratar um.


03 julho 2012

Buzina's free day.

Hoje resolvi não buzinar. Não que eu seja um buzinaholic. Mas eu pratico a buzinada didática. Quando uma pessoa atrapalha o trânsito por motivo de folga...buzina na orelha. Acredito que da próxima vez ela vai pensar duas vezes. É minha maneira de contribuir para um mundo melhor. Não tenho indicadores de que meu método esteja funcionando, pois não persigo ninguém depois. Mas hoje não dei nenhuma buzinadinha, nem um toquezinho. Nada. Silêncio. Me senti muito educada. Talvez seja melhor que o trânsito fique caótico e que eu me sinta educada. Não sei, vou pensar.
Hoje também furei o sinal vermelho na frente do carro da polícia. Eles me pararam com a sirene (irônico...), revólveres (J-U-R-O!) e caras de mau. Falei que fiz aquilo porque estava precisando ir ao banheiro. Me liberaram. Agora fico aqui com essa vergonha insuportável de ter furado o sinal (nunca faço), de ter mentido e de imaginar o que os guardas estão pensando. E pra quantas pessoas eles vão contar. Devia ter falado que eu estava grávida. Ou tomado a multa caladinha. Mas isso não foi intencional, pela regra não vale como nunca fiz antes. Apesar de nunca ter feito antes.

02 julho 2012

A man's day

Ok, quebrei o desafio. Semana passada I worked like a dog e o desafio de fazer uma coisa que nunca fiz antes todo dia ficou em segundo plano. Não vou sofrer por isso.
Hoje tive um dia de homenzinho. Acordei, fui abastecer o carro (completa, por favor!), calibrei e lavei num lava jato ecofriendly que não usa água! Por incrível, foi ótimo. Passei a gostar mais do veículo.
À tarde fiz uma corrida meia boca no parque, fui no supermercado fazer compras e fiz uma receitinha ótima que encontrei no site cuisineaz. Descobri esse site quando percebi que meu vocabulário francês para comida era fraco. E pra que serve falar francês se você não sabe pedir comida? Fiz uma salada de salmão defumado com endívias sem endívias. Não se acha endívias em qualquer lugar. Substituí por barquinhos cuidadosamente esculpidos em pepinos (ponto pra minha criatividade pós corrida!) 

Fiz várias substituições. Maça por pepino, creme de leite por creme de ricota light e tomilho por alecrim. Não ficou tão bonito como essa foto do site, mas ficou gostoso até. Fiz minhas próprias fotos do prato, mas não estavam ficando boas e minha fome atrapalhou minha perseverança, que já não é lá essas coisas.

Vaut la peine: www.cuisineaz.fr (qualquer google translator resolve!)





21 junho 2012

Edith.

Hoje eu conheci Edith Piaf.
Claro que já sabia alguma coisa sobre ela. Fui inclusive visitar seu túmulo no Père Lachaise, um pouco pelo efeito manada. Mas essa semana, minha aula de francês foi cancelada, então pra compensar, resolvi assistir ao filme Piaf em três etapas, porque vi com legenda em francês e fiquei voltando o filme muitas vezes. E quando terminou, fiquei com vontade de dar outro play. Que vida foi essa dessa mulher! Pra completar os espaços em branco (como a detalhista que sou, sempre acho muitos espaços em branco), dei mais uma pesquisada  na internet.
E essa Marion Cotillard é impressionante. Quase não reconheci a atriz de Um Ano Bom e Meia Noite em Paris. 
Impressionante. Biografia é meu estilo preferido de filme hoje. De livro também.

Avec me souvenirs,
J'ai allumé le feu,
Mes chagrins, mes plaisirs,
Je n'ai plus besoin d'eux.
(Non, Je Ne Regrette Rien)

Isso é muito bom. Passei a gostar do nome Edith.


17 junho 2012

Morangos Silvestres.

Hoje eu vi Morangos Silvestres. O filme está presente em todas as listas de "os melhores filmes de todos os tempos", e estava na minha há tempos. Inclusive já o tinha comprado numa coleção da Folha de filmes europeus.
Na primeira fala do filme, o protagonista Dr. Borg faz uma reflexão que define o que veremos a seguir: "Nossa relação com as pessoas consiste em discutir com elas e criticá-las. Foi por isso que me afastei, por vontade própria, de toda a minha vida social. Isso tornou minha velhice solitária".

Lindo e sensível. E fiquei com a impressão que tem muito mais coisa lá que o que consegui absorver. Preciso vê-lo outras vezes.

14 junho 2012

Santo Antônio.

Hoje eu rezei. Não que eu não tenha rezado antes, mas tenho uma relação indefinida com religião. Normalmente quando estou no desespero, dou uma apelada por socorro.
Mas hoje eu rezei pelo meu pai. Se tenho fé em alguma coisa nessa vida, é em meu pai.
Rezei pra ele ter paz. E saúde. Porque esse homem carrega a dor do mundo nas costas.
Queria que ele entendesse que faz parte da vida das pessoas sofrer. E que às vezes não podemos fazer nada.
Rezei por Antônio, meu pai, pra que ele se sentisse mais leve, se divertisse mais, que saísse do tormento que eu acho que mora dentro dele.

"O que seria de mim meu Deus, sem a fé em Antônio". Maria Bethânia me ajudou.

E hoje é dia de Santo Antônio. Só pra aproveitar a ocasião e não perder a oportunidade, resolvi colocar virtualmente um de cabeça pra baixo. Claro que vale.