14 maio 2012

Amor. Não é sobre isso a vida?

Hoje é dia das mães.
Fui passar o fim de semana com a minha, mas vou falar do meu pai também. Essa figura é uma referência para toda a família de sensatez e correção, e me deparei com uma faceta tão vulnerável dele, que me surpreendi. Meu pai tem 74 anos e minha avó, com 100 anos, está hospitalizada. Tradicionalmente nesta data, almoçamos juntos na casa dela. Claro que este ano seria diferente. Foi impressionante pra mim ver meu pai, com o coração dividido, uma parte feliz pelos filhos reunidos, a outra triste pela mãe no hospital, ainda generoso o suficiente pra pensar em todo mundo.
Resolvemos pedir comida em casa, pra ele voltar pro hospital mas ainda almoçarmos juntos. Levamos flores pra minha avó que sempre gostou de um mimo, mesmo ela não conseguindo entender isso neste momento.
Que dia triste e lindo. Porque ficamos só nós, nossa família, no quarto de hospital, com o único desejo de tentar fazer o outro mais confortável.
E a coisa que eu nunca fiz antes de hoje foi dar banho na minha avó. Difícil vê-la com tanto medo. Lindo ver minha mãe tentando acalmá-la, como se fosse sua filha. E ficamos eu, minha mãe e minha avó, dividindo aquele momento de sofrimento e amor, impossível de transcrever.
Talvez seja isso então. As mães cuidam de seus filhos, e depois os filhos cuidam de suas mães, e o amor não para de circular.
Hoje tenho que agradecer por minha mãe ser esta companheira compreensiva e amorosa além dos gestos, por meu pai ser a pessoa mais generosa que eu conheço e pela minha avó, por ter construído tanto amor por onde ela esteve.

Minha última visão de BH da semana, com o coração apertado. Nem sempre vai ser só alegria. Mas já aprendi como essa vida é.

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